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 O Altíssimo, o Deus que Nunca Foi Visto – Parte 2

Pr. Lindenberg Vasconcelos

Nota do editor: Ao ler este e outros textos em que se faz referência à expressão bíblica "anjo", tenha em mente que a palavra significa primariamente "mensageiro", ainda que para algumas pessoas, por força da tradição religiosa, remeta imediatamente à figura de um ser alado (metade humano, metade pássaro, isto é, um ser humano com asas de ave ou homem-pássaro).

No Antigo e Novo Testamento, quando se faz referência a "anjos" o escritor se refere fundamentalmente à missão de tais seres, que atuam como mensageiros, portadores de mensagens divinas aos seres humanos e de mensagens humanas ao Filho de Deus, que por nós intercede. Suas "asas", vistas comumente nas representações gráficas, representam especialmente a velocidade com que executam seu trabalho e, secundariamente, a proteção que oferecem aos seres humanos.

Ao referir-se, no singular, ao "Anjo do Senhor", de modo específico, os autores bíblicos têm em mente o Filho de Deus, Seu principal ou mais excelente Mensageiro no relacionamento com a humanidade. Aliás, Ele próprio personifica a Mensagem, ou Palavra de Deus, a ponto de ser chamado "o Verbo" de Deus, Aquele mediante Quem Deus falou e tudo se fez. Sua autoridade como Mensageiro é tão abrangente que rejeitar-Lhe a mensagem equivale a rejeitar Aquele que O enviou.

 

No livro de Gênesis, há um perfeito sincronismo (ou parceria) entre o Grande e Soberano Deus e Seu filho Jesus. Jeová sempre aparecendo como o Deus Todo-Poderoso e Jesus, em algumas ocasiões, como o anjo do Senhor e em outras como o príncipe dos exércitos do Senhor. Às vezes, os dois juntos (Jeová e Jesus) e noutras em separados.

Os patriarcas, devido ao contato com Esses dois Seres, conseguiam identificar muito bem os dois Personagens; ou pelo menos Deus tinha o cuidado de não ser confundido com mais um “deus” entre tantos que eram adorados, pois o politeísmo era uma características nas civilizações passadas. Porém, há momentos em que Este Anjo do Senhor se “confunde” com o próprio Senhor Deus, o Todo-Poderoso. Por isso, algumas pessoas terminam concluindo, um pouco precipitadas, como se o Senhor que aparece em todo o Antigo Testamento seja a pessoa do Senhor Jesus, o que não é bem verdade. Quando fazemos uma leitura atenta dos textos, conseguimos perceber a maneira como UM se diferenciava do Outro. Por exemplo:

1. Jeová, o Pai,  apresentava-Se:

1.2. Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da 
       tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que
       eu te mostrarei”. Gên.12:1;

  1.2. “ Depois destas coisas veio a palavra do Senhor a
  Abrão em visão dizendo: Não temas, Abrão, eu sou
  o teu escudo, o teu grandíssimo galardão...Disse-lhe
  mais: Eu sou o Senhor, que te tirei de Ur dos
  Caldeus, para dar-te a ti esta terra, para herdares. E
 disse ele: Senhor Jeová, como saberei que hei de
 herdá-la?” Gên.15:1,6-7;

  1.3. “Partiu pois Jacó de Berseba, e foi-se a Harã; E
  chegou a um lugar onde passou a noite, porque já o
  sol era posto; e tomou uma das pedras daquele
  lugar, e após por sua cabeceira, e deitou-se naquele
  lugar. E sonhou: e eis uma escada era posta na
  terra, cujo topo tocava nos céus; e eis que os anjos
  de Deus subiam e desciam por ela; E eis que o
  Senhor estava em cima dela, e disse: Eu sou o
  Senhor, o Deus de Abraão teu pai, e o Deus de
  Isaque; esta terra, em que estás deitado, ta darei a
  ti e à tua semente;” Gên.28:10 a 13;

  1.4. “E disse o Senhor a Jacó: Torna-te à terra dos teus
  pais, e à tua parentela e eu serei contigo. Então
  enviou Jacó, e chamou a Raquel e Léia ao campo,
  ao seu rebanho. E disse-lhes: Vejo que o rosto de
  vosso pai para comigo não é como anteriormente;
  porém, o Deus de meu pai esteve comigo” Gên.31:3
  a 5.
 

Saiba que entre o capítulo 28 e o 31 de Gênesis há um intervalo de aproximadamente quase vinte anos; isso significa que de um verso para outro pode haver uma enorme diferença de tempo; de um a cem ou mais anos. Portando, o que é dito num verso, necessariamente não significa que o próximo seja uma exata seqüência dos fatos ocorridos ao mesmo tempo.

Exemplos

O livro de Gênesis está cheio de anacronismos, isto é, fatos que são mencionados e que nem sempre seguem uma seqüência lógica. Às vezes, Deus está mencionado ou dizendo algo e, de repente, abre-se uma espécie de parênteses para algum comentário mosaico. Por exemplo, na criação da mulher, quando o casal acabara de se conhecer, Moisés declarou: “Portanto deixará o varão o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne”. Gên.2:24.

Como isso poderia acontecer se Adão e Eva ainda nem tinham filhos e ela tinha acabado de sair da “forma”? E mais, não havia ainda nenhuma mãe na face da terra! Aliás, nem tinham sido expulsos do paraíso! Na verdade esse foi um “acréscimo” futurista de Moisés, isso é, ele sabendo o que aconteceu depois, simplesmente se antecipou aos fatos e inseriu aquele comentário.

Querem ver outro exemplo? Então vamos lá: “E chamou Adão o nome de sua mulher Eva, porquanto ela era a mãe de todos os viventes”. Gên.3:20. Novamente observamos que o casal ainda estava no paraíso edênico e Eva já era considerada: “...a mãe de todos os viventes”, mas como! Ela não havia tido filho algum e já era considerada a mãe de todos os viventes!

Na verdade, este verso deveria estar junto ao cap.2:23 ou o 2:23 perto do 3:20? Não sabemos exatamente o tempo ocorrido entre os capítulos 1, 2 e 3, mas sabe-se que isso não pode ter ocorrido em apenas uma semana ou mês. Da criação do casal à expulsão do paraíso, pode ter havido um tempo bem considerável; e durante esse período Eva não teve nenhum filho.

NOTA Mensagens Finais: Só porque a Bíblia não diz (seria importante dizer?), devemos concluir que o casal não tiveram filhos antes de Abel ou Caim? Apenas nos foi relatado que após o pecado, Eva teria filhos com dores! A Bíblia também nos deixa claro que quando Caim saiu da presença de seus pais, foi para uma terra já habitada... Gen 4:14, 17. O casal edenico cumprira muito bem as ordens dadas na criação - Gen 1:29.

 

Pai e Filho no AT

Agora vamos apresentar um episódio em que aparece Pai e Filho atuando juntos:

“E ouviu Deus a voz do menino, e bradou o anjo de Deus a Agar desde os céus, e disse-lhe: Que tens, Agar? Não temas, porque Deus ouviu a voz do rapaz desde o lugar onde está”.Gên.21:17.

 

Observe que a narrativa afirma:

1) Moisés diz que Deus ouviu o choro de Ismael,

2) O Anjo do Senhor (Jesus) fala com Agar, e 

3) Esse mesmo anjo confirma que Deus ouviu a voz do rapaz. Veja que Deus não se dirige pessoalmente (aparece) a Agar, porém, Se fazia presente na vida deles, isto é, Deus sabia e sabe o que se passa com cada um de nós, e no caso de Agar Ele envia seu anjo (representante) para confirmar-lhe que Ele (Deus) era com o rapaz. Isso é muito confortador para nós. Adoramos e servimos a um Deus que sabe estar presente em todos os momentos de nossa vida. Nada se Lhe escapa aos olhos. Como é bom saber disso! Para interagir com os humanos Jeová usou: Anjos, Profetas, uma jumenta, Seu próprio Filho e quem ou o que Ele quiser usar, pois Ele é Deus; e tudo e todos estão a Seu serviço

Um outro episódio interessante a ser observado se dá na vida do servo de Abraão, quando o encarregou de buscar uma esposa para seu filho Isaque. Aqui, o texto deixa bem claro que Abraão sabia diferenciar os dois seres que interagiam com ele. Primeiro Abraão fala, depois o servo confirma a fala de Abraão. Vejam:

“O Senhor, Deus dos céus, que me tomou da casa de meu pai e da terra de minha parentela, e que me falou, e que me juro dizendo: À tua semente darei esta terra; ele enviará o seu anjo adiante da tua face, para que tomes mulher de lá para meu filho”. Gên.24:7.  

O servo repete a fala de Abraão:

“E ele me disse: O Senhor, em cuja presença tenho andado, enviará o seu anjo contigo, e prosperará o teu caminho, para que tomes mulher para meu filho da minha família e da casa de meu pai”. Gên.24:40.

Veja que tanto Abraão quanto o servo tinham a compreensão de que Deus utilizava o Seu anjo, em algumas ocasiões, para realizar a Sua vontade. Porém, este anjo não era Deus, mas o Filho de Deus. Um pouco mais à frente vamos compreender cristalinamente esse fato.

Ainda há um outro episódio muitíssimo interessante é quando Jacó luta fisicamente com o anjo do Senhor. Em certo momento o anjo lhe faz uma afirmação:

“Então disse: Não se chamará mais o teu nome Jacó, mas Israel, pois como príncipe lutaste com Deus, e com os homens, e prevaleceste”. Gên.32:28.

 

Uma leitura não atenta faz a pessoa afirmar que Jacó lutou fisicamente, naquela ocasião, com Deus. Porém, isso não é verdade. Jacó fugiu para as terras de Labão por ter enganado a seu irmão Esaú. Certamente sua consciência pesava ao lembrar dos fatos. Por causa dessa fuga, não pode acompanhar os últimos dias de seu pai Isaque e nem ajudar a enterrar o corpo dele. Lá, nas terras de Labão, trabalhou e foi enganado várias vezes, porém, não utilizou as mesas armas do engano, que caracterizava  o seu nome e finalmente aprendeu a depender de Deus.

Quando o Senhor pediu para que ele retornasse a casa de seu pai, todas as incômodas lembranças voltaram-lhe vividamente à mente. Aliás, foram vinte anos de tormenta. Seu pecado, como diz Davi, estava sempre diante dele. Jacó precisa sentir o perdão de Deus e de seu irmão, para ter paz no coração. Lá atrás havia ficado um Esaú irado e cheio de vingança. E como encará-lo? Daí o conforto do Anjo transmitido a Jacó: “...como príncipe lutaste com Deus...”. Isto é, de Deus ele havia obtido o perdão, sua consciência não precisava mais atormentar-lhe diuturnamente. Podia dormir tranqüilo ao saber que seu erro fora perdoado por Deus; e em relação aos homens ele deveria ficar tranqüilo que nada de mal lhe sucederia, por isso o anjo acrescentou: “...e com os homens, e prevaleceste”.

Assim, este anjo, representante direto de Deus, não é ninguém mais que o próprio filho de Deus trazendo conforto ao coração angustiado de Jacó. Todos os estudiosos da Bíblia sabem e confirmam que jamais houve uma luta física entre Deus, o Pai, e Jacó. Só a presença gloriosa do Pai teria fulminado a Jacó; veremos isso quando tratarmos do Monte Sinai.   

NOTA Mensagens Finais - "Todos os estudiosos..." Não leram o verso 25 (Gen 32)? Sim, houve uma luta física, sim!

Muitos anos depois, por ocasião de sua morte, Jacó abençoa a seus filhos e faz menção de dois Seres que tiveram bem presentes em sua vida. Da mesma que seu avô Abraão, ele compreendia a interação de dois seres atuando em sua vida:

“E abençoou a José, e disse: O Deus, em cuja presença andaram os meus pais Abraão e Isaque, o Deus que me sustentou, desde que eu nasci até este dia. O anjo que me livrou de todo o mal, abençoe estes rapazes, e seja chamado neles o meu nome, e o nome de meus pais Abraão e Isaque, e multipliquem-se, como peixes em multidão, no meio da terra”. Gên.48:15 e 16.

Observem que Jacó menciona o Deus de Abraão e Isaque, mas também menciona aquele anjo que o acompanhou e que sempre esteve ao seu lado nos momentos mais difíceis de sua vida.

 

400 anos depois...

Por ocasião da morte de Jacó, os filhos de Israel já estavam habitando no Egito, por causa de José. Porém, com o passar do tempo e com a morte do Faraó amigo de José, um outro Faraó se levantou (que não “conhecia” José – provavelmente um faraó não egípcio, segundo alguns estudiosos da arqueologia) e daí para frente começa a vida de desespero dos Israelitas; ficando sob a tutela da escravidão egípcia por cerca de quatrocentos e trinta anos, até o momento que Deus achou que era hora de libertar o Seu povo daquela escravidão. Aí entra toda aquela história de Moisés; que não adianta repetir por ser muito conhecida. Veja que durante todo o cativeiro egípcio, Deus, o Pai, não Se manifestara especialmente. Há um silêncio de mais de quatrocentos anos.

Morando e convivendo com um número grandioso de ídolos, muitos israelitas passaram a adorar esses deuses. Por pouco, a fé no Verdadeiro e Único Deus, quase foi extinta, tanto é que Josué recorda esse detalhe, quarenta anos depois da libertação do povo do Egito, vejam:

“Agora, pois, temei ao Senhor, e servi-o com sinceridade e com verdade; e deitai fora os deuses aos quais serviram os vossos pais dalém do rio e no Egito e servir ao Senhor. Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais: se os deus a quem serviram os vossos pais, que estavam dalem do rio, ou os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Porém, eu e a minha casa serviremos ao Senhor”. Josué 24:14 e 15.

Fica claríssimo que os Israelitas adoravam deuses estranhos quando habitavam no Egito (sem mascaração). Josué nasceu no Egito, portanto, tinha perfeito conhecimento do que falava. Assim, somente no coração de uns poucos é que permaneceu a fé e a compreensão da existência de um Único e Todo-Poderoso Deus – Jeová.

Alguns poucos preservaram oralmente a história e os feitos dos patriarcas. E foi ouvindo esses relatos e recebendo a inspiração de Deus é que durante o Êxodo Moisés escreveu o livro de Gênesis. Não podemos ser precisos aqui, mas o livro de Gênesis é um resumo historio de alguns milhares de anos. Essa história de contagem numérica na Bíblia é muito complicada. Correspondi-me com o Museu de Jerusalém, eles afirmaram que há alguns conflitos de datas e números. Por isso, vamos com mais calma quanto a esse aspecto!

Falando de Moisés, e quando ele fugiu do Egito, o mesmo tinha uma vaga compreensão da pessoa de Deus. Por certo, era conhecedor das promessas feita por Deus a Abraão e a sua descendência, as quais foram repetidas oralmente por todos os quatrocentos (Êxo 12:40) anos de cativeiro. Teve que conviver com inúmeros deuses egípcios e, pelo que consta a Bíblia, não se deixou influenciar por nenhum deles. Seu próprio povo estava acostumado a adorar “deuses” estranhos.

Mesmo depois de terem presenciado todas as maravilhas que o Grande e Altíssimo Deus havia operado no Egito, de terem visto o mar vermelho ser dividido em dois eles fizeram a Arão um “estranho” pedido:

“Mas vendo o povo que Moisés tardava em descer do monte, acercou-se de Arão, e disse-lhe: Levanta-te, faze-nos deuses, que vão adiante de nós; porque quanto a este Moisés, o homem que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe sucedeu”. Êxodo 32:1

Na verdade, nada havia de estranho nesse pedido, eles só estavam fazendo o que estavam acostumados a fazer: adorar ídolos! E mais, o culto a esses ídolos envolvia bem mais que simples adoração, notem:

E, vendo Moisés que o povo estava despido (orgias), porque Arão o havia deixado despir-se para vergonha entre os seus inimigos.” Êxodo 32:25.

É amigos, o Excelso Deus foi muito paciente com este povo! Mas voltado a Moisés, foi ali no deserto olhando as estrelas, tendo íntima comunhão com Deus é que ele passou a confiar e a depender desse Deus maravilhoso.

Certa vez, enquanto pastoreava o rebanho de ovelhas de Jetro, ele teve seu primeiro encontro pessoal com Deus. Ele descreve, primeiramente, a Deus como se fosse um anjo, porém, à medida que a afinidade entre Moisés e Deus vai se estreitando, ele compreendendo que, de fato, Aquele que se lhe aparecera era o próprio Deus; e não simplesmente um anjo vindo da parte de dEle. E, por várias vezes, Moisés por não ter ainda um profundo conhecimento da Pessoa do Deus Todo-Poderoso, ele o retrata como o Anjo do Senhor. A partir desse encontro é que Moisés toma verdadeira consciência da presença de Jeová, o Deus Altíssimo, o Todo-Poderoso.

Observem como foi este primeiro encontro de Deus com Moisés:

“Ora, Moisés estava apascentando o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Midiã; e levou o rebanho para trás do deserto, e chegou a Horebe, o monte de Deus. E apareceu-lhe o anjo do Senhor em uma chama de fogo do meio duma sarça. Moisés olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia; pelo que disse: Agora me virarei para lá e verei esta maravilha, e por que a sarça não se queima. E vendo o Senhor que ele se virara para ver, chamou-o do meio da sarça, e disse: Moisés, Moisés! Respondeu ele: Eis-me aqui. Prosseguiu Deus: Não te chegues para cá; tira os sapatos dos pés; porque o lugar em que tu estás é terra santa. Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó. E Moisés escondeu o rosto, porque temeu olhar para Deus.” Êxodo 3:1-6.

Vejam que, embora Seu Anjo esteja presente, o Altíssimo não se revela fisicamente. Deus, o Pai, e Seu Filho estão presentes do relato destes versos, mas Moisés enxerga somente o Anjo do Senhor e observa a sarça em chamas, que não é consumida. O Altíssimo manifestou apenas Sua presença sobrenaturalmente, através da planta que queimava, mas não se consumia. Não foi, porém, visto.

A expressão aqui: “...temeu olhar para Deus”. Não quer dizer que Moisés estava vendo fisicamente a pessoa de Deus. Em vários momentos, aparece esse tipo de expressão, mas precisamos não levar para a literalidade todas as passagens que usam tais formas, quando se trata da pessoa de Jeová.

As expressões: “viu a Deus”, ou “olhou para Deus”, ou “falou face a face”, em hipótese alguma querem dizer que alguém tenha contemplado a fisionomia ou todo o aspecto físico de Deus, especialmente Sua face. Caso isso fosse verdadeiro, estaria frontalmente colidindo com muitas passagens ditas por vários autores bíblicos, incluindo Jesus, que afirmam categoricamente que: ninguém jamais viu a Deus.

Mas voltando ao episódio da sarça ardente.Todos os teólogos e estudiosos do Pentateuco concordam que este Ser, que Se revelou pela sarça que ardia sem se consumir, não era propriamente o chamado "Anjo do Senhor", mas se trata da própria pessoa de Jeová. E que a cada encontro entre Deus e Moisés, essa afinidade vai se ampliando e, da mesma forma, Deus vai Se revelando progressivamente, até  que Moisés obtenha uma mais perfeita compreensão da pessoa de Jeová.

Deus tem profundo conhecimento da limitação humana para entendê-lo, por isso é que aos poucos Ele vai aumentando o conhecimento de Moisés sobre quem é Ele. E pouco antes da libertação dos hebreus do jugo egípcio, Deus novamente falou com Moisés dizendo o seguinte:

Falou mais Deus a Moisés, e disse-lhe: Eu sou Jeová. Apareci a Abraão, a Isaque e a Jacó, como o Deus Todo-Poderoso; mas pelo meu nome Jeová, não lhes fui conhecido. Estabeleci o meu pacto com eles para lhes dar a terra de Canaã, a terra de suas peregrinações, na qual foram peregrinos. Ademais, tenho ouvido o gemer dos filhos de Israel, aos quais os egípcios vêm escravizando; e lembrei-me do meu pacto. Portanto dize aos filhos de Israel: Eu sou Jeová; eu vos tirarei de debaixo das cargas dos egípcios, livrar-vos-ei da sua servidão, e vos resgatarei com braço estendido e com grandes juízos. Eu vos tomarei por meu povo e serei vosso Deus; e vós sabereis que eu sou Jeová vosso Deus, que vos tiro de debaixo das cargas dos egípcios.” Êxodo 6:2-7.

Veja, amigo leitor, que Moisés não O confunde mais com o Anjo do Senhor, mas identifica-O como o próprio Deus. Nesta passagem o que podemos presenciar é a insistência de Jeová em mostrar o lento processo em que se deu a compreensão da existência e singularidade de Sua pessoa. Afirma que em épocas passadas apareceu a Abraão como o Todo-Poderoso, mas não Se fez conhecer plenamente. Em outras palavras, Deus foi Se revelando progressivamente: através de Seu anjo, como o Todo-Poderoso e agora como Jeová, o Altíssimo. -- Pr. Lindenberg Vasconcelos, pastorlindenberg@yahoo.com.br.

continua...

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